
Transtorno de Puxar Cabelo (Tricotilomania)
O transtorno de puxar cabelo (tricotilomania) é uma condição de saúde mental caracterizada por impulsos repetitivos de arrancar os cabelos, levando a uma perda capilar visível e sofrimento. Muitas pessoas puxam os cabelos automaticamente ou em resposta à tensão, estresse ou emoções intensas. O cuidado eficaz geralmente combina o treinamento de reversão de hábitos dentro da TCC, gestão prática de gatilhos e apoio para ansiedade ou depressão associadas.

Índice
O Que É o Transtorno de Puxar Cabelo?
O transtorno de puxar cabelo, conhecido clinicamente como tricotilomania, é caracterizado por puxar os cabelos repetidamente, resultando em perda capilar. As pessoas costumam descrever um acúmulo de tensão ou um impulso desconfortável antes de puxar e uma sensação de alívio depois, embora os padrões variem. A condição está incluída no grupo dos transtornos obsessivo-compulsivos e relacionados, e pode afetar crianças, adolescentes e adultos.

Sinais e Sintomas Comuns
Os sintomas podem variar desde puxões ocasionais até episódios diários que causam afinamento visível ou áreas calvas. Os sinais comuns incluem:
- Puxar repetidamente os cabelos do couro cabeludo, sobrancelhas, cílios, área da barba ou outros pelos corporais
- Perda capilar visível, crescimento irregular ou irritação na pele das áreas afetadas
- Dificuldade em resistir aos impulsos ou tentativas repetidas sem sucesso de parar
- Puxar que ocorre durante estresse, tédio, concentração ou emoções intensas
- Sentimentos de vergonha, embaraço ou evitação de situações sociais
- Mastigar ou engolir cabelos arrancados em alguns casos (procure ajuda médica se isso ocorrer)
Tipos de Puxão de Cabelo
Os profissionais costumam descrever dois padrões sobrepostos. Muitas pessoas vivenciam uma combinação de ambos em momentos diferentes.
Puxão de Cabelo Focado
O puxão focado é mais intencional e frequentemente usado para lidar com sentimentos internos, como tensão, ansiedade, frustração ou a sensação de que algo está “fora do lugar”. A pessoa geralmente está ciente do impulso e pode procurar fios específicos (por exemplo, fios grossos ou irregulares).
Puxão de Cabelo Automático
O puxão automático ocorre com pouca consciência, muitas vezes durante atividades sedentárias como ler, estudar, mexer no celular ou assistir à TV. As pessoas podem notar apenas depois, ao ver os fios nas mãos, roupas ou ao redor.
O Que Causa a Tricotilomania?
Não há uma única causa conhecida. A maioria dos especialistas considera que a tricotilomania se desenvolve a partir de uma combinação de vulnerabilidade biológica e hábitos aprendidos. Os fatores de risco podem incluir histórico familiar de comportamentos repetitivos focados no corpo, diferenças na química cerebral relacionada ao controle de impulsos e eventos de vida estressantes. Ansiedade, depressão, TOC e TDAH também podem ocorrer junto com o puxar de cabelo e influenciar sua gravidade.
Como É Diagnosticada
O diagnóstico é geralmente feito por um profissional através de histórico detalhado e exame. Características principais incluem puxar cabelo de forma recorrente que causa perda capilar, esforços repetidos para reduzir ou parar e sofrimento ou prejuízo significativo. O profissional também verifica se a perda capilar não é melhor explicada por uma condição médica (como uma doença dermatológica) ou outra condição mental.
Opções de Tratamento
O tratamento é individualizado e geralmente funciona melhor quando aborda tanto o comportamento quanto seus gatilhos. A abordagem com maior respaldo é a terapia cognitivo-comportamental (TCC) que inclui o treinamento de reversão de hábitos (TRH). Algumas pessoas também podem se beneficiar de medicação, especialmente quando há presença de ansiedade ou depressão.
Abordagens Terapêuticas
- Treinamento de reversão de hábitos (TRH): aumenta a consciência sobre o puxar, identifica gatilhos e substitui o comportamento por uma resposta concorrente
- Controle de estímulos: mudanças práticas que dificultam o puxar (por exemplo, cobrir as pontas dos dedos, alterar rotinas ou remover ferramentas que provocam o comportamento, como pinças)
- Habilidades para regulação emocional e gestão do estresse, incluindo solução de problemas e estratégias de enfrentamento
- Terapia de aceitação e compromisso (ACT) ou abordagens relacionadas para tolerância ao impulso e comportamentos baseados em valores
Considerações Sobre Medicamentos
Nenhuma medicação funciona para todos, e as evidências variam conforme o grupo etário e fatores individuais. Os profissionais podem considerar opções como ISRSs ou outros medicamentos para tratar ansiedade ou depressão coexistente. A N-acetilcisteína (NAC) mostrou resultados mistos em estudos, devendo ser usada apenas com orientação profissional.
Estrategias Práticas de Enfrentamento
Essas medidas podem apoiar a recuperação e reduzir os puxões diários, especialmente quando combinadas com terapia:
- Observar padrões: anotar quando, onde e como o puxar ocorre para identificar gatilhos
- Manter as mãos ocupadas: usar brinquedos antiestresse, bolas de tensão, tricô ou outras atividades manuais
- Criar barreiras suaves: luvas, bandagens ou protetores de dedos podem reduzir o puxar automático
- Ajustar rotinas de alto risco: por exemplo, mudar posições ao sentar, iluminação ou tempo diante do espelho se esses fatores forem gatilhos
- Praticar técnicas calmantes que possam ser usadas rapidamente, como respiração ritmada ou exercícios de ancoragem
- Buscar apoio cedo se o puxar estiver causando queda de cabelo, sofrimento ou evitação
Perguntas Frequentes
Puxar cabelo é TOC?
Às vezes; a tricotilomania é do espectro do TOC, mas não é sempre TOC.
Qual é o tratamento mais eficaz para tricotilomania?
Treinamento de reversão de hábitos, uma TCC, tem a melhor evidência.
Como parar de arrancar cabelo compulsivamente?
Use reversão de hábitos: identifique gatilhos, substitua ações e procure apoio em TCC.
É possível se recuperar da tricotilomania?
Sim; muitos conseguem controle duradouro, embora recaídas possam ocorrer.
Qual é a causa raiz da tricotilomania?
Não há causa única; genética, circuitos cerebrais, estresse e hábitos aprendidos contribuem.